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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O bebádo e sua égua

Aos oito anos,a pequena Maria resolveu acompanhar a prima Terezinha que era mocinha(e num podia andar só,segundo o manual das boas moças) até uma casa na ponta da colônia da fazenda onde morava uma amiga sua que era casada,Mariquinha.
Elas tinham ido na parte da manhã,para voltarem antes do almoço,mas um imprevisto aconteceu,depois de servir o cafézim e o lanchim,Mariquinha contava das novidades tediosas e lamuriosas do casamento pra prima enquanto já partia para os preparos do almoço do marido e Maria só escutava fartando-se ainda de pão,de repente ouviram o cantarolar e os bravejos exclamados de um marido encharcado de pinga,vindo praticamente abraçado e pendurado numa egua baia alta e magrela,quando Terezinha viu o homem se aproximando entre berros espraguejados e modas desafinadas,quiz ir embora...mas Mariquinha lhe implorou que ficassem,pois se sozinho com ela, "bebim" tudo era motivo de ele lhe dar uma sová de criar bicho,Maria achou engraçado o homem bambo abraçado no pescoço do cavalo,e ao mesmo tempo se assustou com um grito dele.Quis sair rapidim,mas Terezinha se compadeceu da amiga que num queria apanhar e ficou.
O bebum vendo que havia visita,foi pouco mais cortez,parou de praguejar um momento"-bás tardi!"disse tirando as traia da égua quase caindo de tão zoró!Disse pra pequena Maria"-Eu amo essa égua,minha companheira,nunca me abandona"e dai veio a surpresa,em vez de tirar o cabresto da bichinha,puxou-lhe pela corda subindo o patamar de 2 degraus e embocou com a égua pra dentro de casa,pra cima da pobre da Maria que se arregalou toda!A pobre da Mariquinha" -homi vai com essa égua pra fora,ta doido?!"e a Terezinha de morena ficou branca,a casa era pequena 3 comodos pequeninos,correram pra copa,a égua enorme num tinha pra onde correr,uma porta só!
Foi um gritero só,o Zé gritando que a fiel mascote ia almoçar na mesa com ele ,deu a volta na mesa da cozinha com a égua,fez ela comer no prato comida quente!Vixe!...Com a trazeira na porta prontinha pra dar um belo coise em quem tentasse sair da cozinha,declamou juras de lealdade pra amiga égua com aquela voz engasgada de cachaceiro,Maria as vezes ria ,as vezes se preocupava,Terezinha olhava apavorada e a mulher coitada morta de vergonha;"-ja comeu Zé,leva esse bicho daqui."
"-Agora nós vamo pra sesta néh, flexa?" e a Mariquinha viu juntu com as visitas o "homi"vira a égua dentro do cubículo da cozinha causando pavor de mordidas e coises,sair levando-a agora para o quarto e contra qualquer esboço de protesto disse "-ela merece dormi do meu lado na cama mas que ocê muié."
Todas ficaram paralisadas olhando a cena do Zé ,tentando botar a égua pra dormir,sem sucesso...desmaiar na cama e deixar o animal ali do lado,ai sim Mariquinha pegou pelo cabresto e a levou pra fora,Maria tentou forçar as caraminholas pra imaginar por que que a éguinha merecia tanto carinho,mais que a mulher que vivia correndo de apanhar do marido,pensou ;"Que o nojento devia ter casado com a égua,tadinha da Mariquinha!"